5 anos de Plataformatec e fui embora

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Quantas pessoas você já ouviu falar que trabalharam em uma empresa de TI por mais de 2 anos? Raro, né? E mais de 5 anos? E, ainda, em uma empresa de consultoria? Vixi! Apresento-lhes: eu!

Eu sou Ulisses, trabalhei na Plataformatec por mais de 5 anos e depois desse tempão todo decidi ir embora. Estou escrevendo esse texto como uma forma de despedida dessa etapa da minha vida e explicar um pouco do porquê dessa decisão para as pessoas, amigas ou conhecidas, que me acompanharam e ainda acompanham por todo esse tempo.

Já tava bom…

Escrevi um blog post há cerca de 4 anos atrás sobre o meu primeiro ano na Plataformatec. É um texto apaixonado, empolgado, motivado e dizendo tudo o que eu amei quando entrei. E agora? Depois de todos esses 5 anos? Essas qualidades todas ainda continuam? Sim e não. Curiosos para saber o que mudou? Então, vamos ver.

Quando entrei na Plataformatec havia mais ou menos 12 pessoas e quando saí este número estava quase em 60, não duvido que em breve chegue a 100 pessoas trabalhando. A empresa está crescendo e com o crescimento vem coisas novas que às vezes são boas e, às vezes, ruins. Uma coisa é fato: tudo que tínhamos com 12 pessoas precisava mudar para acomodar 50.

Naquele texto, de 4 anos atrás, eu começava elogiando as horas sustentáveis de trabalho. De fato, as pessoas continuam promovendo esse trabalho equilibrado, não lembro de ter trabalhado nenhuma vez no final de semana em projetos de clientes (coisa rara em consultoria). Em alguns casos, em situações de urgência, ocorreu o fato de trabalharmos algumas horas extras com todas devidamente pagas. A filosofia da Plataformatec sempre foi as 40 horas semanais do CLT, isso é ótimo.

O modelo de consultoria da Plataformatec é cobrar por horas dos clientes, isso implica que se não trabalharmos algumas horas em projetos dos clientes, deixamos de faturar uma grana que acaba impactando o faturamento da empresa. Ou seja, as horas investidas em processo seletivo ou treinamento interno para o aprendizado do time não gera receita. Mesmo assim, nunca abrimos mão de fazer essas atividades com qualidade. Mas, isso é só a ponta do iceberg. Funcionários precisam sair de férias, em ocasiões específicas precisam de ausência médica, casamento, licença maternidade e paternidade. A balança entre investimento no time e faturamento é muito difícil de equilibrar.

Por um breve período houve mudanças de gerência e horas extras passaram a ser incentivadas para tentar compensar a receita não adquirida. As horas de projetos se tornaram, as vezes, mais importante que o sucesso do projeto; ao ponto que pessoas que não conseguiam cumprir as 40 horas semanais eram consideradas com falta de comprometimento (mesmo quando o resultado e satisfação do cliente estavam bons). Muito foi discutido, agora são (espero) águas passadas. Mas ainda há muita energia gasta sobre como equilibrar essas horas e, se houvesse uma maneira de simplificar essa conta, essa energia poderia ser investida em outras atividades.

Naquele antigo texto eu comento também sobre as nossas práticas e valores. Valores de não pegar atalhos (gambiarras) e fazer o que é correto mesmo sob pressão. Práticas de como escrever código e como realizar projetos. Temos várias práticas que gostamos e testamos em diversos clientes que foram bem sucedidas, mas às vezes nem tanto. Por acreditarmos tanto em alguns valores e práticas éramos às vezes bastante dogmáticos e inflexíveis, o que gerava atritos internos e nos clientes. Atritos muitas vezes desnecessários. O tempo passou, aprendemos a focar mais no sucesso e no cliente e isso nos deixou mais flexíveis, aprendemos até sobre ter a coragem de lavar as mãos quando o cliente era muito teimoso. Melhoramos muito nossas práticas de gerência de projetos de softwares graças a um excelente time de gerentes que se formou ao decorrer do tempo.

Eu finalizo aquele texto de 4 anos atrás comentando sobre o foco da empresa e como gostamos de compartilhar conhecimento. Tivemos várias evoluções nesse aspecto. 5 anos atrás tínhamos um grande foco na parte técnica, mas o técnico não resolvia tudo, então aprendemos muito sobre comportamento humano e processo ágeis. Antes era só Ruby on Rails, já hoje a empresa está com o Elixir a todo vapor, e possui até consultoria de processos ágeis. Toda essas atividades com foco em excelência e compartilhando tudo que aprendemos. São cursos, treinamento, palestras, livros, blog posts, videos, tanto para o público externo quanto para o público interno. Compartilhar conhecimento é algo que a Plataformatec leva bastante a sério.

Mudar pra melhor, com certeza

A Plataformatec está crescendo. Crescimento traz mudanças para poder acomodar mais pessoas. Práticas que funcionavam para 12 pessoas, não funcionam mais para 60. Antes éramos apenas projetos e backoffice. Hoje tem departamento de projetos, consultoria, marketing, RH, financeiro, facilities e comunicação. No começo a pessoa que entrava em projetos já começava o primeiro dia no cliente. Hoje, a pessoa tem umas 3 semanas de tutoria para aprender com vários veteranos da empresa e entrar no projeto com mais confiança. A Plataformatec possui um alinhamento e comunicação de dar inveja para muita empresa por aí, foi impressionante ver todo esse crescimento, mas não só da empresa, mas de todas as pessoas que trabalham nela. Inclusive, eu.

“Cara, aqui as pessoas crescem mais rápido que a empresa.”
- Felipe Renan, a.k.a. Dá um ligue, desenvolvedor da Plataformatec.

Nesse crescimento e mudança claro que nem tudo foi flores. Algumas dores surgiram e infelizmente a empresa não pôde acolher todos em suas necessidades, desejos e sonhos. Muitas pessoas saíram, porém muito mais entraram. Ainda há pessoas que entraram antes de mim, excelentes profissionais, que ainda continuam. Isso demonstra que a Plataformatec tem muito a oferecer aos seus funcionários, mesmo para aqueles mais antigos.

Mas eu saí

Sim, eu saí da Plataformatec. Estou chegando no meus 30 anos, comecei a pensar sobre os anos seguintes. Pensei sobre o mercado de trabalho de TI que não é muito acolhedor as pessoas mais velhas. Pode parecer até um pouco exagero, mas percebi que meu tempo está acabando. Em breve terei que ceder meu espaço para os mais jovens, ocupar outras posições ou até trabalhar em outro mercado. Talvez eu tenha que migrar para uma posição de gestão (eu tenho fugido há muito tempo disso) ou, quem sabe, lecionar. Apesar de que os anos como desenvolvedor serem finitos, percebi que ainda há bastante tempo para experimentar e aprender.

Quero continuar evoluindo como programador, não só em conhecimento como também financeiramente. Quero continuar trabalhando ali no chão de fábrica com as minhas companheiras e companheiros programadores, designers, gerentes de projetos e produto. Quero continuar entregando features interessantes, corrigindo bugs, planejando evolução do software, contribuindo com open source, experimentando novas tecnologias ou métodos. Conhecer pessoas diferentes, contribuir com o que eu sei e aprender com elas. Resolver problemas que ainda não tive. Gostaria de tudo isso em um ritmo mais tranquilo, onde pudesse ter maior foco em um produto e em uma empresa.

Então, para os próximos anos, achei melhor ser um pouco mais ousado e colocar um pouco mais de intensidade; por isso, decidi sair da Plataformatec e tentar trabalhar em uma empresa do exterior.

Aprendi e evolui imensamente nos meus anos trabalhados na Plataformatec, mas admito que o último ano a curva de evolução foi menor comparado aos primeiros anos, o que é um processo natural. Os novos desafios que me foram apresentados para continuar na Plataformatec estavam distantes do que eu desejava, os desafios eram mais próximos de gestão e vendas. Percebi, então, que eu precisava de uma mudança e foi então que tomei a decisão.

De quase bom, para bom

Antes de entrar na Plataformatec me considerava uma pessoa quase boa em desenvolvimento de software. Antes disso, cometi o pecado de achar que era bom até levar uma surra da vida e aprender que ainda faltava muito para ser alcançado. Naquele momento eu tinha certeza que ainda não era bom, sabia que me faltava muitas habilidades e a Plataformatec parecia ser o que eu precisava.

Depois de muitas experiências ruins em outras empresas, senti que a Plataformatec era minha última esperança. Caso lá não desse certo, se não conseguisse me desenvolver como gostaria… talvez fosse melhor procurar outra área. Para minha felicidade, foi melhor do que eu esperava. Estou feliz com todas amizades que fiz e tudo que aprendi, meu sentimento é de missão cumprida. Consegui atingir o nível que gostaria para um próximo passo. Finalmente considero-me um bom profissional, mas ainda não excelente. A busca pela excelência agora é uma nova jornada.

Gostaria de contar mais sobre os próximos passos, mas ainda está tudo nebuloso e incerto. Mas em breve irei compartilhar como está sendo em um país que nunca pisei, em uma empresa que não entendo nada do negócio. Ainda bem que não estou indo sozinho, estou embarcando nessa loucu…, digo, jornada muito bem acompanhado❤️❤️.

Valeu todos os amigos que eu fiz na Plataformatec:

João, França, Yamate, Flavia, Amanda, Markombis, Vitão, Tegão, Fio, Jigor, GG, Manabas, Xunior, Andriel, Coluxo, Guda, Kassio, Carol, Steh, Mazza, Berna, Paty, Nath, Brendo, Naomi, Dá um ligue, Erich, Freh, Wesley, Alfred, David, Odinei, Rock… sem contar os agregados como a Alda, Ruão, Gojin, Daniel, De Polli, Andrew, Philip, Mimi. Não vou lembrar de todo mundo, mals ai pra quem eu esqueci. BJs a todos, sucesso no caminho de todo mundo aí. Em breve notícias.